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Adulteração de leite ocorria há cerca de um ano.

 

O Ministério Público do Rio Grande do Sul vai interrogar na tarde de hoje (13) um dos principais empresários suspeitos de envolvimento no esquema de adulteração de leite, com adição de água e um composto com formol, investigado pela Operação Leite Compen$ado, deflagrada na quarta-feira (8). Segundo o promotor de Justiça da Promotoria Especializada Criminal Mauro Rockembach, a formalização das denúncias criminais deve ser entregue à Justiça até quinta-feira (16), mas ainda não há definição do número de participantes no esquema.

Sete pessoas continuam presas, entre elas, o empresário que prestará depoimento nesta segunda-feira, na cidade de Guaporé (RS). “Com certeza, ele é um dos principais envolvidos. O volume de leite trabalhado por ele no período de um ano é elevadíssimo, cerca de 43 milhões de litros”, disse à Agência Brasil.

“Além de transportar o leite cru do produtor ao posto de resfriamento, instalado em sua propriedade, ele adulterava [o produto] e analisava a qualidade. Em seguida, aproveitava-se do relaxamento de algumas empresas no controle de qualidade para entregar à indústria um leite com substância cancerígena”, explicou, ressaltando que não há indícios de participação criminal das fabricantes de leite no esquema.

O promotor enfatizou que a fraude não se espalhou para outras regiões do país porque foi descoberta em uma fase considerada inicial. Segundo as investigações, a adulteração ocorria há cerca de um ano.

O Ministério Público estima que as empresas investigadas transportaram aproximadamente 100 milhões de litros de leite entre abril de 2012 e maio de 2013. Do total, o órgão acredita que 1 milhão de quilos de ureia contendo formol tenham sido adicionados, com o objetivo de aumentar o volume do leite transportado e consequentemente o lucro sobre o preço do leite cru.

“Era um esquema grande que tivemos a felicidade de pegar no início, a tempo de alertar as autoridades e a fiscalização para essa situação grave. Corríamos o risco de ele circular pelo país e então perderíamos o controle da fraude”, destacou, ao acrescentar que novos depoimentos serão tomados na quarta-feira (15).

Além das investigações criminais, quatro inquéritos civis para apurar a responsabilidade das empresas de leite tramitam na Promotoria de Justiça de Defesa do Consumidor. Com o objetivo de fiscalizar a qualidade do leite produzido no Rio Grande do Sul, o órgão vai cruzar as informações levantadas pelo MP-RS com dados do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento e de entidades estaduais de fiscalização, como o Centro Estadual de Vigilância e Saúde e a Vigilância Sanitária Estadual. De acordo com o MP, as empresas de leite serão chamadas para uma reunião, no órgão, nos próximos dias.

Na sexta-feira (10), o ministro da Agricultura, Antônio Andrade, tranquilizou os brasileiros em relação ao consumo de leite, alegando que as adulterações descobertas no produto fabricado no Rio Grande do Sul foram resultado de uma fiscalização eficiente do ministério.

Apesar de o ministério atestar que não há falha no monitoramento, técnicos da pasta se reunirão com representantes da cadeia produtiva do leite com o objetivo de estudar alternativas para melhorar os mecanismos de controle. Um dos encontros será no dia 22, em Brasília. Entre os pontos que o ministério discutirá com o setor privado está a possibilidade de o transporte de leite ser remunerado por quilometragem e não pela quantidade do produto.

 

Ministro tranquiliza consumidor sobre a qualidade do leite vendido no país

10/05/2013

O ministro da Agricultura, Antônio Andrade, disse hoje (10) que os consumidores brasileiros podem consumir leite “tranquilamente” e que as adulterações descobertas no produto fabricado no Rio Grande do Sul foram resultado de uma fiscalização eficiente do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa).

“Todas as detecções de fraude são feitas pelo Ministério da Agricultura, que avisou ao Ministério Público [do Rio Grande do Sul]. A fiscalização é constante. Não houve nenhum relaxamento”, disse, em coletiva à imprensa. Apesar de o ministério atestar que não há falha no monitoramento, técnicos da pasta se reunirão com representantes da cadeia produtiva do leite com o objetivo de estudar alternativas para melhorar os mecanismos de controle. Um dos encontros será no dia 22, em Brasília.

O órgão também está recolhendo em torno de 100 amostras de leite de aproximadamente 90 laticínios sob inspeção federal em todo país, a fim de verificar possíveis adulterações em outras unidades da Federação. De acordo com Judi Nóbrega, coordenadora do Departamento de Inspeção de Produtos de Origem Animal do Mapa, até 20 de maio todas as amostras estarão no Laboratório Nacional Agropecuário (Lanagro) gaúcho, que está centralizando as amostras. Nesta data, é possível também que alguns resultados sobre o leite dos demais estados já tenha sido divulgado.

Segundo Antônio Andrade, um dos pontos que o ministério discutirá com o setor privado prevê que o transporte de leite seja remunerado por quilometragem e não pela quantidade do produto. O ministro ressaltou que as investigações apontaram que as fraudes no Rio Grande do Sul não ocorreram nas fases de produção e industrialização, e sim na de transporte. Segundo ele, a princípio não está previsto editar uma norma determinando regras para o transporte de leite porque o Poder Público não deseja intervir nesse processo. “Essa é uma relação comercial entre indústria, transporte e produtor. Não cabe a nós determinar”. Andrade acredita, no entanto, que haverá interesse na busca por melhores práticas. “A indústria foi penalizada [pela descoberta das adulterações]”, disse.

Segundo balanço do Ministério da Agricultura, até o momento foram recolhido cerca de 600 mil litros de leite que já haviam passado pelo processo de industrialização e chegado ao mercado. Hoje (10) a pasta recebeu do Lanagro do Rio Grande do Sul o resultado de testes feitos em 30 lotes recolhidos em entrepostos de refrigeração nas cidades gaúchas de Guaporé, Selbach e Crissiumal, pertencendes às empresas LTV, Marasca e Líder. Desses, dois lotes totalizando 28 mil litros do produto registraram presença de formol.

Operação busca quadrilha acusada de adulterar leite

08/05/2013



O Ministério Público do Rio Grande do Sul (MP-RS) deflagrou hoje (8) a Operação Leite Compen$ado para desarticular um esquema de adulteração de leite. De acordo com as investigações, cinco empresas de transporte de leite adicionavam ao produto cru, entregue à indústria, uma substância semelhante à ureia, que tem formol na composição e é considerada cancerígena pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Até agora, oito pessoas foram presas suspeitas de envolvimento no esquema.

Segundo o MP-RS, esse tipo de adulteração é considerada crime hediondo de corrupção de produtos alimentícios, previsto no Artigo 272 do Código Penal. Ao todo, estão sendo cumpridos nove mandados de prisão e 13 de busca e apreensão em três cidades do Rio Grande do Sul (Ibirubá, Guaporé e Horizontina). Cerca de 100 pessoas participam da operação, que conta com o apoio do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, da Receita Estadual e da Polícia Militar gaúcha.

De acordo com o Ministério Público, as empresas investigadas transportaram aproximadamente 100 milhões de litros de leite entre abril de 2012 e maio de 2013. O órgão estima que, desse total, 1 milhão de quilos de ureia contendo formol tenham sido adicionados, com o objetivo de aumentar o volume do leite transportado e consequentemente o lucro sobre o preço do leite cru.

A fraude foi comprovada por meio de análises químicas do leite cru. O formol foi encontrado no produto final mesmo depois dos processos de pasteurização. Amostras coletadas no decorrer da investigação em supermercados da capital gaúcha apontaram fraude em 14 lotes de leite. O leite alterado era comercializado no Rio Grande do Sul e em outros estados.

Mais detalhes da operação e das investigações serão informados em entrevista coletiva às 10h30, na Promotoria de Justiça no município de Tapera (RS).

Veja abaixo a lista das marcas e lotes adulterados:

Italac Integral
Lotes L05KM3, L13KM3, L18KM3, L22KM4 e L23KM1

Italac Semidesnatado
L12KM1,

Bom Gosto (razão social) /Líder UHT Integral
Lote TAP1MB,

Mumu UHT Integral
Lote 3ARC,

Latvida UHT Desnatado
Lote 37/661,

Latvida UHT Semidesnatado
Lote 48/661,

Latvida UHT Integral
Lote 36/661,

Latvida Semidesnatado
Lote 48/661 e

Latvida Integral
Lote 24/661

Fonte Agência Brasil