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Festival gastronômico Sabores do Porto da zona portuária começa dia 24 de novembro

Segundo a Subsecretaria de Comunicação Social do Estado do Rio, o concurso já mobiliza os moradores que têm estabelecimentos gastronômicos. Eles estão pensando e testando iguarias inéditas, que vão passar pelo crivo dos jurados. Prato mais saboroso, mais criativo, melhor decorado, melhor atendimento e cerveja mais gelada. Essas são as cinco categorias do I Festival Gastronômico e Cultural Sabores do Porto, que será realizado em 24 e 25 de novembro, com premiação no fim de semana seguinte, nos morros da Providência e do Pinto, com apoio da Secretaria de Estado de Assistência Social e Direitos Humanos.

Uma das inscritas é Rosane Ferreira, de 50 anos, moradora do Morro do Pinto, que tem a experiência como um de seus aliados. Ela aprendeu a cozinhar com apenas 11 anos e revela que a boa comida ajudou a fisgar o marido, com quem divide o balcão do bar da família, que funciona há dez anos em um prédio de 1922.

– Vou concorrer com um yakissoba carioca, que leva camarão, lula, polvo e legumes. Foi a partir da pacificação que alguns comerciantes da Providência e do Morro do Pinto começaram a pensar em legalização. Eu, por exemplo, já sou microempreendedora e estou tentando tirar o alvará de mercearia. Esse festival é uma vitória para todos nós – explicou Rosane.

Mesmo com os elogios do marido Carlinhos, de que “ela tem uma variedade boa de pratos”, Rosane tem uma concorrente difícil pela frente: a baiana Vera Lucia Curto. Ela, que começou a cozinhar aos sete anos de idade, diz não ter ficado em dúvida sobre o prato que apresentaria no festival, já que passou a infância observando a mãe preparar acarajé.

– Passei a adolescência vendendo acarajé com a minha mãe e vendo meu pai quebrando o feijão e passando no moinho de mão. Meu irmão tinha vergonha de acompanhá-la, mas eu ia às feiras livres ou então batia de porta em porta oferecendo o acarajé. Quando pequena fazia só o trivial, como arroz e feijão, depois fui aprendendo pratos típicos da Bahia, como caruru, bobó de camarão, cocada e, no final, acabei seguindo os passos de minha mãe e comecei a vender acarajé também – afirmou Vera.

O I Festival Gastronômico e Cultural Sabores do Porto foi pensado para estimular a criação de receitas inéditas desenvolvidas pelos comerciantes formais e informais, produtores de quentinha e das pequenas biroscas. O objetivo é contribuir para a melhoria no atendimento e dar os primeiros passos na organização do turismo, fomentando a organização e fortalecimento da rede de comércio local.

– É no cenário das mudanças de infraestrutura em curso na Região Portuária que um grupo de comerciantes moradores do Morro da Providência, Morro do Pinto e adjacências se organizaram em rede e estão propondo o circuito gastronômico e cultural – explicou Jocelene Ignacio, gestora social da Providência.

Para os inscritos no concurso, o SESI Cidadania/FIRJAN adiantou que vai oferecer o curso Cozinha Brasil, para que o desenvolvimento do comércio na região aconteça de forma inclusiva. Uma das participantes é a dona do bar “Sabor das Loiras e Gelada do Moreno”, Rosana Damasceno, que cuida do comércio com o marido, Reinaldo. Nascida na Providência, Rosana relembra quando a favela ainda não era pacificada, mas garante que, por ser muito otimista, sempre acreditou na mudança.

– Eu tinha esperança que as coisas iriam mudar, mas não podia imaginar que seria tão rápido. Perdi um irmão em um tiroteio e tínhamos hora para chegar em casa. Hoje, qualquer pessoa pode subir a favela a qualquer hora. Antigamente o tráfico se envolvia em tudo e os moradores tinham receio de que acontecesse alguma coisa – relembrou Rosana, que vai preparar uma lasanha de jabá com jerimum com massa de carne seca.