
Antes das 5 horas da manhã, mais de mil homens entraram nas comunidades de Manguinhos, Jacarezinho, Mandela e Varginha, na zona norte do Rio. A Operação Pacificação Manguinhos envolveu efetivos das polícias Civil, Militar (PM), Federal (PF) e Rodoviária Federal (PRF), além de fuzileiros navais. De acordo com a Secretaria de Segurança, a ocupação de toda a área foi pacífica e demorou apenas 20 minutos.
Participam os batalhões de Operações Policiais Especiais (Bope), de Choque (BPChq), de Ação com Cães (BAC) e o Grupamento Aéreo-Marítimo (GAM). A operação prepara o local para a instalação de uma Unidade de Polícia Pacificadora (UPP), que será a 29ª do estado. Segundo dados do Censo 2010 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Complexo de Manguinhos tem 36 mil moradores e Jacarezinho tem quase 38 mil.
A operação também faz cerco na Baixada Fluminense e em outras comunidades das zonas norte e oeste do Rio, para buscar armas, drogas e criminosos que possam ter deixado Manguinhos e Jacarezinho. Estão sendo utilizados 11 blindados e três helicópteros da PM, dois helicópteros da Polícia Civil e 13 blindados da Marinha. Há também o apoio de helicóptero da PRF e ambulâncias do Corpo de Bombeiros.
A Secretaria de Segurança pede que os moradores dessas comunidades colaborem com denúncias sobre criminosos e esconderijos pelo Disque-Denúncia (21) 2253-1177 ou o 190 da PM. Os presos e o material apreendido na operação serão levados para a 21ª Delegacia de Polícia (DP), em Bonsucesso.
As forças de segurança continuam nos dois complexos, na busca por criminosos e na apreensão de armas, drogas, objetos roubados.
Os moradores demonstravam um misto de euforia e preocupação. Várias famílias, com medo de tiroteios, deixaram a região para se abrigar em casas de amigos e parentes. Uma moradora passou gritando para um vizinho, com seus três filhos pequenos: “Não vou pagar para ver (se haverá confronto ou não)”. Muitos traficantes também teriam deixado as comunidades os últimos dias. Os moradores se diziam cansados do domínio dos traficantes. Os comerciantes disseram também que já estavam cansados de ser extorquidos, dando dinheiro, cerveja e outras mercadorias para os bandidos que faziam festas em bailes funk.