
Foi desapropriada hoje (21/08) pela prefeitura de Petrópolis a Casa da Morte. Ela foi um aparelho clandestino montado pelo Centro de Informações do Exército (CIE) durante a ditadura militar e onde foram torturados e mortos diversos presos políticos. A desapropriação atende a reivindicações feitas pelo Conselho de Defesa dos Direitos Humanos de Petrópolis e encampadas pela Ordem dos Advogados do Brasil do Rio de Janeiro (OAB-RJ). A informação foi divulgada hoje à noite pela OAB-RJ em nota distribuída á imprensa. Para o presidente da OAB-RJ, Wadih Damous, a desapropriação é um primeiro passo para a transformação do local em um memorial. Ele ainda disse : “É uma grande vitória da sociedade democrática e a OAB-RJ se orgulha de ter contribuído para a causa. O próximo passo será transformar a famigerada Casa da Morte em memorial. Assim, a cidade de Petrópolis fica desagravada em sua honra, já que a Casa da Morte deixa de ser uma mancha e passa a ser uma lembrança de que o Brasil viveu tempos tenebrosos que não mais devem voltar”
Nas ruas estreitas, sinuosas e inclinadas de Petrópolis (RJ), a casa branca, com pedras de granito na base, janelas de madeira, jardim impecável e um velho portão de ferro não chama a atenção. No alto do morro, ela não destoa da paisagem ao redor. Talvez por isso, há quartenta anos, ela tenha sido escolhida para a função que teve. Entre os militares, a casa da rua Arthur Barbosa, 668 , no bairro Caxambu, era tratada pelo codinome Codão. Para quem a conheceu era a Casa da Morte, um cárcere privado mantido pelo Centro de Informações do Exército (CIE). Dentro dela eram torturados e mortos militantes de organizações de esquerda presos pelo braço repressivo da ditadura militar (1964-1985).